ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO


 

Novos

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Aniversário do descaso

Um ano se passou e os novos procuradores não chegaram. Quem perdeu?
Os jovens profissionais, a carreira, o Estado e sua população

No dia 12 de dezembro de 2002, o anterior Conselho da PGE homologou o concurso de ingresso de 120 novos procuradores do Estado em nossa carreira, tendo sido aprovados 155 candidatos. O concurso iniciado em maio daquele ano foi um dos mais céleres da história dos concursos, senão o mais. A própria autorização para a sua abertura já demonstrava a imensa carência de procuradores, cerca de 600, verificada naquele momento.

Na ocasião, afirmou-se que os aprovados seriam nomeados no início de 2003. Fixou-se inclusive período para curso de adaptação a ser realizado pelo Centro de Estudos. O Conselho anterior fez realizar concurso de remoção para 120 vagas e mais de duas centenas de colegas fizeram planos de alteração de suas classificações. Muitos programaram-se inclusive para mudar de cidade, com todos os transtornos que isso traz.

Da parte dos aprovados, mais de uma centena de advogados fizeram planos de se tornar procuradores do Estado em São Paulo. Muitos recusaram propostas de emprego. Alguns até tentaram posteriormente, sem êxito, encontrar trabalho em escritórios – contratação de advogado às portas de assumir cargo público é raridade.

Há casos de pessoas que deixaram seus empregos, por conta da suposta nomeação. E, ainda, os que foram aprovados em outros concursos e já assumiram outros cargos. É provável que muitos não queiram mais ser procuradores do Estado em São Paulo quando a nomeação vier.

De ruim a pior – Se o quadro já era dramático quando da abertura do concurso, ele ficou perto do insustentável. Nesses dois últimos anos, um procurador faleceu em exercício, 12 exoneraram-se e outros 29 aposentaram-se. Dessas 42 "baixas", 15 saíram da área da Consultoria Jurídica, nove da Procuradoria de Assistência Judiciária da Capital, três da Fiscal, três da Regional da Grande São Paulo, dois da Regional de Sorocaba. A Procuradoria Judicial, a do Patrimônio Imobiliário, as procuradorias regionais de Santos, Bauru, São Carlos, Ribeirão Preto, Marília e Presidente Prudente, a Procuradoria do Estado em Brasília, além de uma Comissão Processante Permanente (CPP), perderam um profissional cada uma.

Esse quadro ainda poderá piorar (sim, isso é possível!). Com a nova regra do subteto remuneratório estadual, é possível que cerca de uma dezena de procuradores (sobretudo na ATL e AJG) também deixe seus cargos. Sem contar os que já preencheram os requisitos para a aposentadoria e podem sair a qualquer momento.

Na área da Consultoria, segundo informações da subprocuradora do setor, o volume de trabalho é tamanho que aos lá classificados nem sequer se autoriza gozar licença-prêmio (direito garantido pela Constituição Estadual). Na Assistência Judiciária, postos de atendimento foram fechados (como Poá, São Miguel Paulista), com grave prejuízo ao direito dos pobres a um atendimento digno. No Contencioso, o número insuficiente de procuradores impede maior arrecadação da dívida ativa ajuizada e fragiliza o combate à sonegação fiscal.

Além dessas conseqüências explícitas, ainda há as "invisíveis". A cada dia aumenta o estresse, sobretudo de quem deve cumprir prazos. Avolumam-se as pilhas de processos. Trabalha-se no limite das forças e surge o receio do erro. Situações que só são vividas por quem passa por elas, e às quais não são todos os que sobrevivem incólumes.

Pior ainda será o dia em que alguém virá afirmar que o trabalho da PGE é ineficiente (há farto espaço para demagogos); que há demora em proferir pareceres; que não se arrecada suficientemente; que não se atende os pobres eficientemente. O que dirão os que permitiram que o quadro assim ficasse?

  Montanha - russa de frustração e esperança  

Alegria, tristeza, revolta, expectativa. O que representou na vida dos procuradores concursados este ano de promessas não cumpridas

"Foi um ano perdido. Vivemos na expectativa de que a convocação seria breve e tive problemas profissionais em função disso. É difícil buscar colocação em escritórios particulares, sabem que você vai sair. No meu caso foi assim, fiz uma opção pela advocacia pública, estudei muito, passei no concurso e espero ser convocado. Não acho ético esconder isso quando busco um trabalho. No final de 2002, muita alegria. Em 2003, frustração. Muitos, como eu, tinham grande expectativa na convocação para tocar a vida. Nossa vida permanece em compasso de espera. Ninguém toma uma decisão. Estamos assim há um ano."  Marcello Garcia


Luta pela nomeação dos novos procuradores esteve na agenda da Apesp e nas edições de 
O Procurador
durante todo o ano


"Sempre quis muito a Procuradoria. Quando passei, quase pedi exoneração do meu trabalho, no TRF. Passei num concurso para a Advocacia Geral da União e não tomei posse, esperando ser convocado logo. Há um ano estou num emprego do qual sei que vou sair, isso desestimula. Minha vida está em suspenso. Vivo a angústia da incerteza. Sem falar nas cobranças, todo mundo quer saber quando vou assumir. Até o ascensorista do prédio onde trabalho pergunta por que ainda estou aqui. Unidades da assistência à população carente sendo fechadas e gente qualificada esperando para assumir: isso tudo é gravíssimo."  Glauber Callegari

"Um balde de água fria jogado na vida de 150 pessoas que estavam prontas para dar tudo de si pela Procuradoria Geral e pelo Estado de São Paulo. No último encontro que tivemos com o procurador-geral, na reunião do Conselho, ele percebeu nossa presença – estávamos de preto em protesto pelo ano de espera – e disse que acha interessante nosso empenho: demonstra nossa força de vontade em fazer parte da carreira. Dedicamos anos da nossa vida em estudos para prestar esse concurso e seguir a carreira de procurador do estado. E o governo não consegue observar a importância dessa convocação para São Paulo."  José Luiz de Moraes

"Novas promessas apontam para fevereiro. A desilusão mais uma vez vira expectativa. A gente precisa se agarrar a essa crença. Foi um ano que significou repensar muito a vida profissional. Concluí o mestrado, publiquei livro (sobre sigilo bancário). A vida acadêmica confortou a espera. Não fosse a força de vontade, muito mais pessoas teriam partido para outra. Foi um ano de montanha-russa emocional. Em outro momento, talvez a frustração falasse mais alto. Mas estar próximo da carreira, das entidades, de pessoas que aprendi a admirar está valendo a pena. Tenho certeza: escolhi a carreira certa."  Juliana Beloque

 

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