|
Entrevista
|
______________________________________________
|
|
|
Apesar
do aperto, um ano de conquistas
"A
defesa intransigente da moralidade, da legalidade, dos
interesses sociais e do Estado é nossa razão de
ser", diz Omar Coêlho de Mello
|
|
|
|
Omar
Coêlho de Mello, presidente da Associação Nacional dos
Procuradores
de Estado
|
Junto
com as associações estaduais, como a Apesp, outras entidades
representativas da carreira e em sintonia com procuradores de todo o
país, essa relativamente "jovem" entidade de classe
integrou com afinco a frente de batalha organizada para reagir à
tentativa de reforma previdenciária e tem presença importante no
processo de discussão da reforma do Judiciário. Nesta entrevista,
o presidente da Associação Nacional dos Procuradores de Estado (Anape),
o alagoano Omar Coêlho de Mello, 43 anos, destaca a importância da
entidade nessas lutas e faz um chamado aos procuradores de São
Paulo para que se associem, estimulem a unidade e fortaleçam as
entidades de defesa da carreira e do interesse público.
O Procurador
– Fale sobre a criação da Anape e
lutas importantes a que se dedicou.
Omar Coêlho de Mello – A
Anape foi fundada em 14 de janeiro de 1983, em Porto Alegre, com o
objetivo de defender a carreira diante das especulações de uma
nova ordem constitucional. Em 1984, atuou junto à Comissão de
Notáveis, que tinha a incumbência de elaborar o projeto da Carta,
tarefa que culminou com a promulgação da Constituição Federal,
em outubro de 1988. Lutou para as implementações das
procuradorias-gerais nos estados e pelo tratamento igualitário
entre as carreiras jurídicas. Em 1996, enfrentou as reformas
administrativa e previdenciária do governo FHC. Agora, com o novo
governo, e novas reformas em andamento, a Anape continua atenta e
atuante, apesar das dificuldades financeiras que ainda não
conseguiu superar.
O Procurador
– Como o senhor avalia as lutas
travadas frente às chamadas "reformas" da Previdência e
do Judiciário?
Mello – O balanço é
altamente positivo, apesar das dificuldades. A reforma da
Previdência veio com o objetivo de aniquilar com os servidores
públicos e, diante desse quadro dantesco, conseguimos nos manter em
situação de igualdade com as demais carreiras essenciais à
Justiça e com a magistratura. Já na reforma do Judiciário, que se
encontra no Senado, temos exclusivamente de manter a autonomia
funcional, administrativa e financeira conseguida na Câmara dos
Deputados. Além de conseguir maiores garantias para uma atuação
mais efetiva dos procuradores, sem o temor de represálias e
perseguições.
O Procurador
– Como tem sido a participação
das associações estaduais de procuradores nessas lutas?
Mello – Magnífica. Ninguém sozinho consegue nada. O que mantém
a Anape atuante é e sempre foi a união entre as associações que
integram seu Conselho Deliberativo. Quando isso não ocorreu, em
1995 e 96, quase ficamos de fora do texto reformador.
O Procurador
– De que forma essas associações
estaduais integram a estrutura da Anape?
Mello – Desde 1999, a
Anape passou a ser uma entidade mista. Associados individuais e
associações integram o conselho deliberativo, com voz e voto nas
decisões a serem tomadas pela diretoria executiva.
O Procurador
– Quantos procuradores são
associados à Anape? Qual o valor da contribuição e como se
associar?
Mello – A Anape tem
aproximadamente 2.400 associados, mas apenas 20% pagam a anuidade.
Ainda assim, aumentamos em 100% o número de adimplentes este ano.
Há falhas no sistema de cobrança, e esperamos superá-las com a
fixação em definitivo de nossa sede, em Brasília. A anuidade é
de R$ 60, ou seja R$ 5 por mês. É importante que os procuradores
se associem e partilhem da responsabilidade pelas vitórias que
ainda virão. Nosso site, www.anape.org.br, é modesto, mas
já permite a inscrição. Cada um pode fazer a Anape mais forte.
O Procurador
– Uma mensagem aos procuradores do
Estado de São Paulo.
Mello – Unidade. Somente
unidos continuaremos em condições de enfrentar adversidades. Essa
unidade se materializa com o apoio dos procuradores à Apesp e à
Anape. Devemos continuar na defesa intransigente dos princípios
norteadores da administração pública, a moralidade e a
legalidade, fazendo da associação um veículo para as denúncias
das violações, sempre que detectadas, em respeito ao princípio da
publicidade que nós, procuradores, temos dever de cumprir em
respeito à sociedade e ao Estado, razões de nossa existência.
|
|
__________________________________________________ |
|
Alckmin
"concede" audiência em pleno vôo
Viagens
semanais do presidente da Apesp a Brasília, além dos saldos
importantes na luta pelos direitos previdenciários durante o
processo de reforma, rendem frutos até mesmo no trajeto
Quanto
tempo, ou quanta pressão, seria necessário para se conseguir
uma audiência com o governador Geraldo Alckmin? Pois o acaso
conferiu tal audiência ao presidente da Apesp, José Damião
de Lima Trindade. Num de seus vôos a Brasília, onde tem dado
plantão na batalha contra a reforma da Previdência, Damião
sentou-se ao lado de Alckmin, separados apenas pelo corredor
do avião. E durante cerca de meia hora de viagem, no dia
14/10, o governador ouviu muitos argumentos sobre a
necessidade da rápida nomeação dos novos procuradores.
Alckmin disse esperar
por uma boa recuperação da economia paulista neste final de
ano e que as restrições impostas pela lei de
responsabilidade fiscal sejam superadas. O chefe do Executivo
anunciou a expectativa de que as tão esperadas nomeações
possam ocorrer em fevereiro de 2004, se não houver surpresas
com a economia.
O presidente da Apesp
descreveu o anseio geral que cerca o tema, tanto por parte dos
concursados, que investiram mais de dois anos de suas vidas,
como de toda a PGE. Há unidades em que os procuradores cuidam
de mais de 6 mil processos "per capita", quando o
recomendável para um advogado mortal é acompanhar não mais
que 250 a 300 processos. Relatou ainda que a situação é
nociva aos cofres do Estado, que gasta perto de R$ 200
milhões em convênios com a OAB.
Os dados transmitidos
por Damião foram anotados de próprio punho por Geraldo
Alckmin, que se mostrou vivamente interessado. E mostrou
também que governador prevenido deve andar sempre com um
bloquinho.
|
|