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Seccional de
Jundiaí dá exemplo
Projeto
melhora vida dos presos e envolve comunidade com sua
recuperação.
Desativação da PAJ pode comprometer resultados
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O
juiz Jefferson Torelli (à esquerda) considera
fundamental o trabalho realizado por Gustavo Junqueira (à
direita) e sua equipe |
Osistema
prisional brasileiro tem grandes problemas. O principal deles é o
baixo número de detentos que saem dos presídios
reabilitados, prontos para re-inserção na sociedade. Isso pode ser
atribuído a uma série de fatores, um deles o desrespeito à
legislação por falta de recursos do Estado.
Na Lei Penal há dispositivo
determinando que, para progressão de regimes – do fechado para o
semi-aberto e deste para o aberto –, o condenado deverá passar
por exame criminológico para aferir sua condição psicológica e
sua possibilidade de fazer jus à progressão. Os grandes presídios
contam com psicólogos concursados, mas as cadeias das cidades
pequenas ficam à mingua e o Poder Judiciário não tem quem faça
esse laudo. É direito, mas nem sempre o Estado o provê. O
município de Jundiaí é um dos que sofrem com a falta de verbas
para a realização de exame criminológico.
"Apesar de não haver
penitenciária na cidade, a Vara de Execuções Criminais (VEC)
conta com grande número de processos com incidentes de progressão
de regime, livramento condicional, remição... Tudo em razão da
superlotação, infelizmente constante, da Cadeia Pública, bem como
a já conhecida falta de infra-estrutura do aparelho
penitenciário", conta o procurador responsável pela VEC,
Gustavo Junqueira.
Ele afirma que a ausência
de estabelecimento genuinamente penitenciário gera a falta de
instrumentos necessários para o correto trâmite de tais
incidentes. "Tratamos aqui do entrave causado pela dificuldade
na realização do exame criminológico. Na busca de solucionar o
problema, há cerca de dois anos foi implantado sistema através do
qual alunos da Faculdade de Psicologia, acompanhados de alunos da
Faculdade de Direito, têm reuniões semanais com os presos e, ao
final de três ou quatro encontros, esboçam laudo. Em uma última
reunião, um professor da Faculdade de Psicologia se reúne com o
preso e com os alunos, e elabora um laudo definitivo", descreve
Junqueira.
O projeto converge
interesses e culmina com benefícios para todos. As faculdades,
cumprindo um papel social, fornecem alunos interessados
em cumprir estágio nas cadeias. Os presos saem ganhando porque
têm mais atenção e assistência, o Estado ganha porque não tem
que contratar e a população também lucra porque o preso se acalma
e o risco de rebelião é diminuído. Há também a possibilidade de
que cada comunidade comece a olhar para seus presos e pense em
recuperá-los.
"A coordenação e
orientação dos alunos da Faculdade de Direito fica a cargo da
Procuradoria, bem como são divididas as responsabilidades pelo
agendamento das reuniões", descreve Junqueira. "A
comunhão de esforços entre o Juízo e a Procuradoria – bem como
o excelente apoio da Faculdade de Direito e de Psicologia Padre
Anchieta – permite, com o envolvimento de todos os interessados, a
realização rápida, eficiente e realmente individualizada de
exames, permitindo rara efetivação dos mandamentos da Lei de
Execuções Penais."
Prática
– O procurador do Estado Gustavo Junqueira afirma que a presença
de alunos de Direito é importante na orientação dos trabalhos.
"Vários equívocos na elaboração do laudo são evitados,
como a desconsideração da infração praticada como fator a
influenciar o resultado. Com a orientação do histórico do
condenado, fica mais fácil ao profissional da psicologia
compreender as peculiaridades de cada caso. Acreditamos que tal
combinação aperfeiçoa, e muito, os exames, permitindo resultados
mais próximos da desejada individualização."
A princípio, a turma de
Psicologia das Faculdades Padre Anchieta fazia um trabalho semanal,
de estágio, com conjuntos de presos – uma espécie de terapia em
grupo. Foi um sucesso: as estudantes de psicologia gostaram tanto e
fizeram tanta propaganda que ano a ano dobrou o número de
interessados.
No ano seguinte, esse
trabalho foi ampliado. Ao assumir a Vara do Juri, Execuções
Criminais e Infância e Juventude da Comarca de Jundiaí, o juiz de
Direito Jefferson Barbin Torelli deparou-se com o imenso problema de
não contar com a colaboração de um psicólogo ou psiquiatra que
fizesse os exames criminológicos na cidade. Passados cinco meses
sem que esse trabalho fosse realizado, a preocupação aumentava. A
cadeia estava a ponto de explodir com a insatisfação dos presos.
Foi então que se idealizou
um outro trabalho com a Faculdade Psicologia, desta vez ladeado
com a de Direito. Após algumas reuniões, concretizou-se uma
espécie de convênio em que a faculdade pagava um pouco mais para o
professor que coordenava o trabalho na Psicologia. Ele ficaria
responsável por concluir e assinar os laudos dos exames
criminológicos.
"Gustavo
Junqueira e sua equipe têm desenvolvido um trabalho muito bom há
mais de dois anos na cadeia pública: no acompanhamento dos
processos de execução criminal dos presos e na defesa de outros
interesses dos condenados, o que contribui para a manutenção da
tranqülidade da cadeia", avalia o juiz. "Quando o preso
completa o tempo, quer progredir de regime. Se isso não acontece ou
é protelado demais, causa desassossego e, não raro, indisciplina.
Antes desse trabalho da Procuradoria, o exame era realizada pelo
Imesc, de São Paulo, e levava meses, até um ano para ser
concluído. Agora, em 25, 30 dias estamos com o laudo em
mãos."
Manutenção –
Por isso, é grande a preocupação dos profissionais de Direito, da
região, com os boatos sobre o fechamento da Seccional de Jundiaí.
O juiz Torelli lembra que a atuação da Procuradoria também é
importante em relação aos processos de execução criminal dos
réus que não estão presos, já que mais de 90% dos condenados
não têm condições de constituir advogados. "Todos esses
argumentos foram expostos às pessoas da Procuradoria que vieram
falar comigo a respeito do trabalho realizado em Jundiaí. Eu deixei
claro a importância de manter em pleno funcionamento os serviços
da Seccional que considero, sem dúvida, fundamentais para a cidade
e para sua comunidade."
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O
procurador do Estado Gustavo Junqueira reforça a opinião do
juiz. "A simples existência do referido programa serve
como fator de estabilização da Cadeia, ou seja, ao mesmo
tempo que são garantidos os direitos dos presos, a comunidade
ganha com uma Cadeia Pública mais pacífica."
O
trabalho realizado em Jundiaí, serve de exemplo e pode render
frutos. "Acreditamos que tal plano, que já funciona no
município há anos, possa ser implantado também em outras
seccionais, como solução legal, criativa e humanizadora para
vencer a demora na resolução das pendências na execução
penal", finaliza o procurador. |

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