PGFN
refina acompanhamento de grandes devedores da União
As regras que
norteiam o trabalho dos procuradores da Fazenda Nacional
que atuam no acompanhamento dos grandes devedores da
União passaram por um refinamento que pode gerar maior
celeridade e eficácia ao trabalho do grupo, responsável
por um aumento de R$ 2,8 bilhões na arrecadação da
dívida ativa entre 2006 e 2007. A Procuradoria-Geral da
Fazenda Nacional (PGFN) publicou no início deste mês uma
portaria que pormenoriza as normas a serem seguidas
pelos procuradores que integram o Projeto Grandes
Devedores (Progran) em todo o país. O grupo é
responsável por um acompanhamento especial dos processos
de cobrança de empresas que possuem dívidas a partir de
R$ 10 milhões com a União.
A primeira
portaria que regulamentou a ação do grupo, publicada em
2005, possuía oito artigos e designava 27 procuradores
para fazerem parte do Progran. A última - a Portaria nº
320, tem 20 artigos, inúmeros incisos e prevê a
participação de 65 procuradores no programa. São Paulo,
por exemplo, passa de seis para 16 procuradores.
O Projeto
Grandes Devedores foi o responsável, por exemplo, pelas
ações que culminaram no bloqueio de contas bancárias da
Vale e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 2007,
cujos valores depositados eram de aproximadamente R$ 700
milhões cada. Os montantes seriam destinados, na época,
ao pagamento de dividendos aos acionistas das empresas.
Apesar dos bloqueios, as contas foram desbloqueadas
mediante recursos das empresas na Justiça. De acordo com
o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luis Inácio
Adams, o programa está voltado para o acompanhamento dos
balanços, distribuição de dividendos, venda de ativos e
ampliação de capital das empresas que são grandes
devedoras da União desde o ano passado.
"A portaria é
praticamente a mesma de 2005, porém organiza melhor e
estrutura a atividade do grupo de acompanhamento",
afirma o advogado Edmundo Medeiros, do escritório
Oliveira Matos Advogados. Segundo ele, quanto mais
organizado for este grupo, mais pressionado será o
contribuinte a arcar com seus débitos. O advogado Plínio
Marafon , do escritório Braga & Marafon Advogados,
afirma que o programa dos grandes devedores simplifica o
trabalho da procuradoria ao unificar processos com
poucos procuradores. Com a medida, diz, não dá tempo
para que as empresas esvaziem seu patrimônio e realizem
a chamada "blindagem". "É ruim para quem quer ganhar
tempo", diz Marafon. "A execução será mais rápida do que
é hoje."
O sócio da área
tributária do escritório Azevedo Sette Advogados, David
Silva, afirma que a nova portaria da PGFN mostra a
seriedade da Fazenda em relação aos grande devedores.
Ele acredita que os processos de execução fiscal poderão
ter um andamento mais rápido em razão das metas
estipuladas pelos procuradores, ficando reduzidas as
possibilidades de as empresas redirecionarem bens que
poderiam ser bloqueados para o pagamento dos débitos.
Na prática, a
portaria da Fazenda não altera em muito o que já vem
sendo praticado pelos procuradores. Mas traz um roteiro
detalhado do que eles devem fazer em relação aos grandes
devedores. "Isto servirá como uma orientação para os
procuradores que estão chegando agora à procuradoria",
afirma uma fonte da Fazenda. Atualmente, os procuradores
já acompanham processos de empresas que devem valores
superiores a R$ 10 milhões, assim como os grupos
econômicos a que pertencem, do qual fazem parte outras
empresas. Eles também são responsáveis por investigar
hipóteses de crimes contra a ordem tributária.
O Projeto
Grandes Devedores foi oficialmente instalado em 2005, a
partir de um estudo realizado no ano anterior pela PGFN
que identificou o perfil da dívida da União. O
levantamento demonstrou que cerca de 80% da dívida ativa
da União estava concentrada em aproximadamente 2% dos
devedores. A partir daí, a Fazenda passou a concentrar,
quando possível, os processos de uma mesma empresa em
uma única execução. O resultado foi a queda de 30% no
ajuizamento de execuções.
Fonte: Valor Econômico, de
7/05/2008
São Paulo promove qualificação de dívida
O Estado de São
Paulo começou a colocar em prática neste ano, na capital
paulista, um projeto que busca qualificar os devedores
de ICMS a partir da criação do chamado setor de
inteligência jurídica e fiscal. O setor é dividido em
duas áreas: serviço de apoio técnico (SAT) de pesquisa e
o serviço de biblioteca. A área de pesquisa é a
responsável pela análise das dívidas fiscais. Neste
caso, o procedimento é o levantamento dos débitos de
empresas que estão em atividade e que ainda possuam
patrimônio penhorável na capital. A partir dos dados,
terão prioridade de acompanhamento os casos de maior
repercussão econômico-jurídica. Já a área de biblioteca
terá como papel uniformizar as teses defendidas pelos
procuradores para um mesmo tema.
A procuradoria
fiscal do Estado também pretende realizar convênios para
a troca de informações com cartórios de registros de
imóveis, junta comercial e Detran, por exemplo, com a
finalidade de facilitar a localização de bens.Apesar do
desenvolvimento do inteligência fiscal, a Procuradoria
Fiscal do Estado e órgãos ligados à Fazenda do Estado já
realizaram em outras épocas espécies de programas de
"qualificação" ou acompanhamento de grandes devedores
pelos procuradores. É o caso do Conselho Gestor de Ações
Conjuntas de Combate à Evasão Fiscal (Cevaf), que
envolve procuradores e agentes da fiscalização.
O advogado
Edmundo Medeiros, do Oliveira Matos Advogados, diz ter
tido um cliente que recebia acompanhamento especial da
procuradoria. Segundo ele, a empresa possuía cerca de
120 execuções acompanhadas por diferentes procuradores.
Em um determinado momento, afirma, a empresa passou a
ser acompanhada por um único procurador, que conseguiu
anexar os processos que estavam na mesma fase em uma
única execução. Com a medida, a procuradoria obteve -
após inúmeras tentativas nos processos individuais - a
penhora do faturamento da empresa. Segundo ele, a dívida
que estava espalhada por inúmeros processos foi
concentrada e cobrada de uma única vez.
Fonte: Valor Econômico, de
7/05/2008
Decreto de 6-5-2008 - nomeação Defensora Pública-geral
Nomeando, nos
termos do art. 13 da LC 988-2006, em recondução, a
abaixo indicada para exercer, em comissão, em Jornada
Integral e pelo mandato de 2 anos, o cargo a seguir
mencionado, do Quadro da Defensoria Pública do Estado,
na referência da EV-C, a que se refere o art. 239, I, da
referida Lei Complementar: Defensor Público-Geral do
Estado, Ref. 9 - SQCD-I: Cristina Guelfi Gonçalves, RG
20.461.591, em vaga decorrente do término de seu
mandato.
Fonte: D.O.E, Caderno Executivo
II, seção Decretos, de 7/05/2008
Eleições 2008 - dia 16 de maio - chapa ADIANTE
CONSTRUINDO foi a única apresentada
As eleições para
a ANAPE 2008 serão realizadas nos Estados no dia 16 de
maio, conforme já publicado neste site e no Diário
Oficial da União. O material para a realização das
eleições já está sendo enviado para os Estados.
Chapa: ADIANTE
CONSTRUINDO
Presidente:
Ronald Christian Alves Bicca (GO)
1º Vice-Presidente: Juliano Dossena (SC)
2º Vice-Presidente: José Damião de Lima Trindade (SP)
Vice-Presidente Sul: Fabiana Azevedo da Cunha (RS)
Vice-Presidente Sudeste: Sílvio Mello (RJ)
Vice-Presidente Norte: Sérgio Rodrigo do Valle (TO)
Vice-Presidente Nordeste: João Régis Nogueira Matias
(CE)
Vice-Presidente Centro-Oeste: Gláucia Anne Kelly
Rodrigues do Amaral (MT)
Diretor Financeiro: Walter Rodrigues da Costa (GO)
Diretor Administrativo: Augusto de Oliveira Galvão
Sobrinho (AL)
Diretor Social: Daniel Bueno Cateb (MG)
Diretora do Centro de Estudos: Valentina Jungmann Cintra
Alla (GO)
Diretora de Comunicação: Vera Grace Paranaguá Cunha (PR)
Diretor de Convênios: Almir Hoffmann de Lara (PR)
Diretora de Relações Públicas: Ana Carolina Monte
Procópio de Araújo (RN)
Diretor de Assuntos Legislativos: José Aloysio
Cavalcante Campos (PA)
Conselho Deliberativo:
Presidente: Elias Lapenda Sobrinho (PE)
Vice-Presidente: Francisco Malaquias de Almeida Júnior
(AL)
Secretário-Geral: Fernando César Caurim Zanelli (MS)
Secretário-Geral Adjunto: Christiano Dias Lopes Neto
(ES)
Conselho Consultivo:
Presidente: Omar Coelho de Mello (AL)
Vice-Presidente: Durval Ramos Neto (BA)
Secretário: Marcos Vinícius Witczak (DF)
Membros:
Sávio Gonçalves (RO)
Luciano Trindade (AC)
Eugênia Freire (SE)
Celso Barros Neto (PI)
Marcelo de Sá Mendes (RR)
Hélio Ferreira Rios (AP)
Conselho Fiscal:
Presidente: Francisco de Assis Camelo (PB)
Membros:
Augusto Aristóteles Matões Brandão (MA)
Alberto Bezerra de Melo (AM)
Fonte: site da ANAPE, de 7/05/2008
O que deverá mudar nos sistemas do TJ-SP
O corte
orçamentário de R$ 3,5 bilhões não eliminou a
expectativa de melhorias e ganhos de produtividade que
poderão ser obtidos nos sistemas de automação do
Tribunal de Justiça de São Paulo. No final de abril,
juízes e servidores assistiram palestras sobre a
implantação do SAJ-SG (Sistema de Automação do
Judiciário – Segundo Grau). A seguir, anotações feitas
por um magistrado:
"O início da
implantação do SAJ-SG deverá ocorrer neste mês, na
Capital, prevendo-se a integração em todo o tribunal nos
próximos cinco anos. Quando totalmente implantado, o SAJ
deverá colocar em comunicação direta todo o Judiciário
de SP, automatizando rotinas e permitindo efetiva
aplicação do processo virtual.
Exemplos:
a) Automatização
das rotinas cartorárias, com emissão de relatórios
diários de controle de prazos. Isso seria possível com a
imediata anotação das petições protocoladas no sistema
ou do vencimento do prazo, na sua falta;
b) Fim da
movimentação física dos processos em cartório, cujos
volumes permanecerão em um único local;
c) Conseqüente
controle da produção dos servidores.
Em segundo grau,
o sistema será o embrião do julgamento virtual: exceção
feita à sustentação oral - seja no órgão especial, seja
no órgão comum -, todos os atos poderão ser praticados
no sistema. O relator vota, transmite o voto (e o
processo) ao revisor que, de seu turno, os repassa ao
vogal. No dia seguinte ao último exame, o resultado do
julgamento estará publicado na internet.
Está em
elaboração proposta de alteração legislativa destinada a
viabilizar os procedimentos. Segundo normas de serviço
já editadas, a alimentação do sistema será feita pelos
próprios gabinetes. Estima-se que esta rotina seja
implantada ainda em maio.
Os níveis de
segurança e eficiência almejados são os do sistema
bancário. Além da penhora on-line (Sisbacen), o TJ-SP
está prestes a fechar convênios com a Receita Federal,
permitindo acesso direto dos juízes a seu banco de
dados, em busca de bens sonegados pelos devedores. O
tribunal também mantém entendimentos com as empresas de
telefonia, para a comunicação on-line em busca de
endereços de pessoas não localizadas".
Fonte: Blog do Fred, de 7/05/2008
Presos testam e aprovam tornozeleiras
A Secretaria da
Administração Penitenciária (SAP) conclui nesta semana
os testes para a escolha do tipo de tornozeleira ou
pulseira com sensores eletrônicos que será comprado pelo
governo do Estado para monitorar presos que cumprem pena
em regime aberto, semi-aberto ou em liberdade
condicional. As análises de três modelos tiveram início
há 15 dias, com cerca de 100 presidiários de 30 unidades
de semi-aberto do Estado. Cada detento ficou uma semana
com o equipamento e teve de responder a um questionário,
informando suas impressões sobre o uso do aparelho.
"Achei que ela
incomoda um pouco no momento de caminhar, pelo peso, mas
depois a gente se acostuma", diz P., que usou o
equipamento durante três dias no trabalho, numa
autarquia pública, e pediu para não ser identificado.
"Se for para a gente se garantir na redução de pena,
será muito bom", completa.
Todas as
tornozeleiras têm correias de plástico e uma caixinha
para guardar o chip e equipamentos eletrônicos que farão
o contato com o computador instalado dentro do presídio.
A que está em uso por P. é de tamanho médio e mais
pesada - cerca de 400 gramas - que as outras duas
testadas. A caixinha tem cerca de 8 centímetros de
altura por 4 de largura e 4 de espessura.
A preferida
pelos detentos é a tornozeleira menor, com uma cinta
fina e uma caixinha de 2 centímetros de espessura e 4 de
altura por 2 de largura e que pode ser usada também como
pulseira. "Gostei de usar, porque ela é bem discreta",
disse R., que cumpre pena numa ala de semi-aberto do
interior paulista e trabalha na limpeza das ruas da
cidade.
VANTAGEM
Para ele, a
vantagem da tornozeleira consiste em poder provar aos
diretores da penitenciária que se merece o regime
aberto. "Eles poderão me vigiar e constatar que eu
cumpro as exigências da saída temporária", afirmou.
Segundo ele, durante uma das saídas temporárias chegou a
ser acusado de ter feito um roubo e só não voltou ao
regime fechado porque a polícia, dias depois, encontrou
os autores do crime. "Se tivesse essa caixinha, eles
saberiam que não fui eu quem havia cometido aquele
crime."
Outra
tornozeleira testada pode ficar separada do corpo por
até 5 metros de distância. Apesar da vantagem de se
livrar do peso, a tornozeleira foi a única que falhou
durante os testes. Na semana passada, ao ser deixada
sobre uma mesa, a caixa de transmissão começou a apitar
sem parar, assustando o detento que a testava. "Foi uma
correria danada. O rapaz ficou apavorado, e ligamos
rapidamente para a penitenciária, avisando que não se
tratava de uma fuga", contou um empresário que
presenciou a cena. Seu empregado está detido numa
unidade de semi-aberto do interior de São Paulo.
FUGA
Mas todas as
tornozeleiras testadas não impedem a fuga, caso o
detento queira mesmo escapar. A correia de plástico que
se prende à perna pode ser facilmente cortada. "Se isso
ocorrer, uma central dentro do presídio dará o alarme, e
a polícia será acionada imediatamente para encontrar o
foragido", explica o diretor de um presídio da região
noroeste.
A SAP alegou que
as informações são sigilosas e, por isso, não passou os
custos de cada aparelho e a data de licitação. Segundo a
secretaria, cerca de 20 mil tornozeleiras serão
compradas.
Fonte: Estado de S. Paulo, de
7/05/2008
Metrô vai investigar contratos feitos com a
multinacional Alstom
O Metrô de São
Paulo decidiu ontem investigar os contratos firmados com
a empresa Alstom entre 1995 e 2003, após reportagem
publicada pelo jornal "Valor" sobre a investigação,
aberta na França e na Suíça, para apurar indícios de que
a multinacional pagava propina para obter contratos no
Brasil.
Segundo o
diário, que reproduz reportagem do "The Wall Street
Journal", policiais suíços, em contato com colegas
brasileiros, disseram suspeitar que US$ 6,8 milhões
foram pagos como propina pela Alstom para ganhar um
contrato de US$ 45 milhões com o Metrô.
Por meio da
assessoria de imprensa, a Divisão de Combate a Crimes
Financeiros da Polícia Federal, em Brasília, informou
que não foi procurada por representantes de polícias da
França ou da Suíça para tratar de casos envolvendo a
Alstom.
O Ministério
Público de Paris abriu um inquérito em novembro de 2007
motivado por uma denúncia da Justiça da Suíça. Em 2004,
autoridades suíças descobriram documentos que provavam
que 20 milhões destinados a companhias offshore ligadas
à Alstom na Suíça e em Liechtenstein passaram pelo
Tempus Privatbank AG, um pequeno banco suíço de
investimentos, antes de serem transferidos para contas
no Brasil, na Venezuela, na Indonésia e em Cingapura.
O escritório de
auditoria e consultoria financeira e tributária KPMG,
responsável por auditar as contas do Tempus, concluiu
que a operação bancária em questão era destinada a
financiar atos de corrupção.
Além dessa
suspeita, um intermediário de um político brasileiro,
não identificado na reportagem, teria pedido comissão de
7,5% da Alstom para facilitar que a empresa firmasse
contratos com o Metrô.
O suposto caso
de corrupção teria ocorrido nas gestões do governador
Mário Covas, que assumiu em 1995, e do ex-governador
Geraldo Alckmin, que deixou o cargo em 2006, ambos do
PSDB.
Em nota oficial,
a companhia afirmou que vai averiguar todos os contratos
do período, mas não informou o montante dos contratos em
vigor. Já a Alstom nega que tenha por prática pagar
propinas.
A Alstom faz
parte do consórcio das empreiteiras OAS, Queiroz Galvão
e CBPO-que, em 2004, assinou contrato de R$ 1,8 bilhão
com o Metrô para o primeiro trecho da linha 4.
Em setembro do
ano passado, o TCE (Tribunal de Contas do Estado)
condenou um contrato firmado em março de 1994 pelo Metrô
e a multinacional, no valor aproximado de US$ 50
milhões, por conta da inclusão de itens não previstos no
edital e da prorrogação por nove anos, através de
aditivos.
Em outubro de
2007, a Folha revelou que o Metrô vai gastar R$ 70
milhões a mais na aquisição de 16 trens por ter retomado
um contrato de 1992, herdado pela Alstom.
A informação de
que o preço seria menor, caso houvesse nova licitação, é
da própria multinacional. O valor total é de R$ 500
milhões. O Metrô negou haver prejuízo. O caso está no
Tribunal de Contas do Estado.
Ainda segundo o
"The Wall Street", as autoridades obtiveram documentos
que indicavam que a empresa havia reservado US$ 200
milhões para pagar comissões para fornecer equipamentos
de US$ 1,4 bilhão para a hidrelétrica de Itá, na região
Sul do país.
A Eletrosul e a
Tractebel, por meio de suas assessorias de imprensa,
informaram não ter tido vínculos com o processo
Fonte: Folha de S. Paulo, de
7/05/2008
Serra e Alckmin pedem apuração das denúncias
As principais
lideranças do PSDB paulista, partido que pode ser
atingido caso sejam consistentes as denúncias feitas
pelo jornal americano "The Wall Street Journal" de que a
polícia suíça investiga pagamento de propina por parte
da francesa Alstom a autoridades paulistas para
fornecimento de equipamentos ao metrô, reagiram de
maneira cautelosa.
O governador
José Serra realçou que não era o responsável pela
assinatura dos contratos. "Estes fatos supostamente
ocorridos teriam se dado antes do início do meu governo.
Vou esperar para ter conhecimento oficial e o governo
dará os esclarecimentos cabíveis", disse.
A matéria do "The
Wall Street Journal", reproduzida no Brasil pelo Valor,
não esclarece em que ano teria havido a suposta ação
corruptora da Alstom junto a autoridades paulistas.
Menciona que o período investigado vai de 1995 a 2003, o
que envolve os governos tucanos de Mário Covas
(1995-2001) e de seu vice, Geraldo Alckmin (2001-2006).
Há contratos de fornecimentos do metrô com a Alstom em
ambas as administrações: um foi assinado em 2000, ainda
na gestão Covas, e o outro em 2003, tempo de Alckmin.
"Não sei se
estes contratos foram assinados na minha gestão ou na de
Covas. Mas o pensamento que tenho seria o mesmo que
Covas teria, se ele estivesse presente: apure-se",
comentou o Alckmin, que assumiu o cargo após a morte de
Covas, em 6 de março de 2001.
Presidente da
Comissão de Finanças da Assembléia Legislativa, o
deputado Bruno Covas, neto do falecido governador, não
quis se pronunciar sobre as denúncias. Por meio de sua
assessoria, disse que "não existem fatos concretos"
envolvendo o governo paulista e que "as contas dos
governadores foram aprovadas até 2006". A comissão
presidida pelo neto de Mário Covas tem poder para pedir
documentos e contratos para averiguação, mas segundo
Bruno Covas, a priori não será pedida nenhuma
investigação.
O deputado
estadual Roberto Felício (PT-SP), diz que o episódio
reforçará o pedido de uma abertura de CPI sobre as obras
da Linha 4 do Metrô. Desde o desabamento do canteiro de
obras da futura estação Pinheiros, na zona oeste de São
Paulo, em janeiro do ano passado, a bancada do PT busca
assinaturas para abrir uma investigação. "Vamos pedir
esclarecimento, ao Metrô e à Secretaria de Transportes
Metropolitanos, e a partir daí dá para intensificar a
busca de assinaturas ", diz o parlamentar
O presidente da
federação Nacional dos Metroviários e secretário-geral
do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner
Fajardo, disse que os negócios da Alston no metrô da
capital paulista sempre foram vistos pelo setor como um
problema. "A entrada da Alstom foi uma situação
complicada. Foi uma forma agressiva como entraram.
Praticamente não teve concorrência", afirmou.
De acordo com
ele, o caso deve ser investigado por uma CPI federal.
"Achamos que o governo, a Assembléia, Ministério Público
e Câmara em Brasília devem fazer investigação. Esse caso
é o tipo que merecia uma CPI, envolve entidades
internacionais", disse.
Fonte: Valor
Econômico, de 7/05/2008
Contratos foram firmados pelo Metrô de SP em 2000 e 2003
Há pelo menos
dois grandes contratos fechados entre o Metrô de São
Paulo e a Alstom, relacionados às linhas 4 Amarela e 5
Lilás, entre os anos de 1995 a 2003, período foco de
investigação sobre supostos pagamentos de propina da
multinacional francesa para ganhar licitações na Ásia e
na América Latina. Procurado pelo Valor, o Metrô não deu
informações oficiais sobre o total de negócios já
fechados com a Alstom, e enviou uma nota em que diz
estar "averiguando os contratos realizados com a empresa
nesse período".
Segundo
reportagem do The Wall Street Journal, na semana
passada, policiais suíços se reuniram com policiais
brasileiros para falar sobre a suspeita de um pagamento
de US$ 6,8 milhões feito por funcionários da Alstom para
ganhar um contrato de US$ 45 milhões para a expansão do
metrô paulista.
A Alstom foi
líder do consórcio Sistrem (Siemens, ADTrans , CAF,
Balfour Beatty e Bombardier), que venceu no ano de 2000
a licitação para equipar a linha 5 Lilás, que vai de
Santo Amaro a Capão Redondo. O valor do negócio foi de
280 milhões de dólares, e houve apoio financeiro do
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O
trabalho realizado pelo consórcio foi de instalação de
centro de controle operacional, de sistema de
sinalização e de sistemas auxiliares, e a fabricação de
oito trens. Na época, Mário Covas (PSDB) era governador
do Estado, e Carlos Alberto Almeida era diretor-geral da
divisão de transportes da Alstom. A entrega dos trens
começou em fevereiro de 2002.
A Alstom também
é fornecedora de equipamentos para a Linha 4 Amarela
(Luz-Vila Sônia), ainda não inaugurada. A empresa
integra o consórcio Via Amarela junto com as companhias
OAS, Queiróz Galvão e CBPO. O grupo ganhou a licitação
para a construção da nova linha em 2003, um contrato de
R$ 1,8 bilhão. A gestão era do então governador Geraldo
Alckmin (PSDB), e o financiamento da obra contou com o
apoio do Banco Mundial, além de recursos do próprio
Estado e de investidores estrangeiros.
O secretário de
Transportes Metropolitanos na época, Jurandir Fernandes,
diz que não haverá problemas caso a Justiça queria
informações sobre o negócio com a Alstom. "Em todos meus
anos à frente da secretaria, nunca tive necessidade de
usar a esfera política para fechar qualquer contrato. Se
a Alstom se valeu disso, foi de forma inadequada", diz.
Segundo ele, a transparência nos contratos é garantida
pela discussão técnica dos projetos e a publicidade do
processo licitatório.
A fabricante
francesa também é uma grande fornecedora de equipamentos
e sistemas para a Companhia Paulista de Trens
Metropolitanos (CPTM), outra empresa estadual ligada à
Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. No
fim do ano passado, foram fechados dois contratos, no
valor de R$ 495 milhões, para manutenção de 78 trens com
dois consórcios dos quais a Alstom faz parte. A
participação da empresa nos contratos é de
aproximadamente R$ 123 milhões.
Em 1996, a
Alstom deixou de importar os carros de metrô da França e
passou a produzir no Brasil. A empresa hoje é a única
fabricante de trens de passageiros instalada no país.
Fonte: Valor Econômico, de
7/05/2008
A propriedade ou a vida
EM SEU discurso
de investidura, o novo presidente do Supremo Tribunal
Federal decidiu brandir a espada da Justiça contra o
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Grande
honra para o MST atrair assim, sobre si, o olhar
venerável da nossa mais alta magistratura. É sinal de
que temos, enfim, como agente político um grupo que
contrasta vivamente com a mediocridade timorata e balofa
dos nossos partidos.
A ocasião é
propícia a uma reflexão sobre o direito de propriedade,
que constitui um dos pilares da chamada civilização
moderna.
Até o século 18,
nenhum sistema jurídico conheceu um direito individual
tão completo e absoluto sobre coisas. No direito romano,
havia três tipos de "dominium", com diferente conteúdo:
o quiritário, o provincial e o pretoriano. Na Idade
Média, proliferaram, em toda a Europa ocidental, as mais
variadas espécies de direitos sobre coisas,
correspondentes ao esfacelamento do poder político,
típico do feudalismo.
A era moderna
principia, nesse particular, com a promulgação do Código
Napoleão, em 1804, verdadeira "Magna Carta" da
burguesia. Em seu artigo 544, fixou-se a célebre
definição: "A propriedade é o direito de fruir e dispor
das coisas da maneira mais absoluta, contanto que não se
faça dela um uso proibido pelas leis ou pelos
regulamentos". Portanto, no silêncio da lei ou do
regulamento, o proprietário pode usar e abusar do seu
direito à vontade.
Aliás, todo o
Código Civil francês é estruturado na oposição entre
pessoas e propriedade (no singular). Se o livro primeiro
trata das pessoas, os dois outros livros cuidam somente
da propriedade: "Das diferentes modificações da
propriedade" e "Das diferentes maneiras pelas quais se
adquire a propriedade".
Em oposição a
esse absolutismo da propriedade privada, levantou-se o
movimento socialista, de todos os matizes. Pregou-se a
abolição total desse direito, como medida de estrita
justiça. Ora, nada mais justifica manter essa dicotomia
anacrônica: propriedade absoluta ou ausência de
propriedade.
A propriedade
ainda deve hoje ser reconhecida como direito
fundamental, quando necessária à manutenção de uma vida
individual ou familiar dignas. Fora dessa hipótese bem
demarcada, estamos diante de um direito ordinário, que
não goza das garantias fundamentais previstas na
Constituição. Mas, em qualquer hipótese, o direito de
propriedade não deve ser confundido com o poder de
controle empresarial, que é um direito sobre pessoas, e
não só sobre coisas.
Perante um
direito fundamental de propriedade, o juiz deve, na
desapropriação, fixar uma indenização que corresponda à
totalidade dos danos sofridos pelo expropriado; o que
pode superar o valor venal do bem. No caso da
propriedade ordinária, ao contrário, a indenização não
deve exceder o valor correspondente à efetiva
importância da coisa no patrimônio do proprietário, o
que pode equivaler a muito menos que o valor venal; pois
o interesse público prevalece sempre sobre o interesse
privado.
Além disso, a
regra constitucional de que "a propriedade atenderá a
sua função social" (artigo 5º, inciso XXIII) influi
decisivamente sobre a proteção desse direito. Em caso de
descumprimento do preceito, o juiz não pode, sem violar
frontalmente a Constituição, conceder mandado liminar de
manutenção ou reintegração de posse ao proprietário.
É preciso,
porém, ir mais além. Urge reconhecer, num regime
republicano, que certos bens essenciais à vida digna de
todo o povo não podem ser objeto de ilimitada
apropriação privada. É exatamente o caso -e de modo cada
vez mais claro com a exploração crescente dos
biocombustíveis, em detrimento do direito à alimentação-
das terras agrícolas.
No quadro da
reforma agrária, por exemplo, elas deveriam ser objeto
de um direito de uso (Código Civil, artigos 1.225 e
seguintes), concedido a lavradores ou sociedades
cooperativas; direito que, em todos os casos, haveria de
ser exercido segundo as diretrizes da política agrícola
nacional.
Por todas essas
razões, bendito seja o MST, que continua a suscitar um
salutar desassossego no coração de nossos grandes
proprietários agrícolas!
FÁBIO KONDER
COMPARATO, 71, é professor titular aposentado da
Faculdade de Direito da USP. É autor, entre outras
obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo
Moderno".
Fonte: Folha de S. Paulo, seção
Tendências e Debates, de 7/05/2008